Regras de negócio
As decisões de produto que explicam por que o sistema se comporta como se comporta. Cada regra vem em três partes: o que o sistema faz, por que faz assim e o que quebraria se fizesse diferente.
A terceira parte é a que dá valor à página. Regra sem consequência declarada é regra que alguém "simplifica" na primeira refatoração, de boa-fé, sem ter como saber o que estava segurando.
Esta página não substitui o AGENTS.md, e isso é de propósito
O AGENTS.md descreve as mesmas regras para quem vai mexer no código: fala em campo, transação e chave estrangeira. Esta página fala em bancada, aparelho e balcão.
São dois vocabulários para o mesmo conjunto de regras, e as duas versões precisam existir — quem opera o balcão não deve ter que ler um arquivo de instrução de código para entender por que um botão recusou. Não tente unificar as duas. Quando uma regra mudar, mudam as duas.
Devolver é declarar, não é entregar
O que o sistema faz. Quando alguém toca em Confirmar devolução no
portal, o empréstimo sai de ATIVO e vai para
AGUARDANDO_BAIXA. O aparelho não volta a ficar disponível: ele continua
EMPRESTADO até a secretaria confirmar o recebimento no
painel.
Por que faz assim. Porque o tablet não tem como conferir nada. Ele registra uma afirmação — "eu deixei o aparelho na bancada" — e quem verifica se o aparelho está mesmo lá é uma pessoa, com o aparelho na mão. A baixa física é essa verificação.
O que quebraria. O portal ofereceria a outra pessoa um equipamento que ainda está em cima da bancada — ou que nunca chegou lá. A segunda pessoa faria a retirada, iria buscar na prateleira e não acharia nada; e o sistema mostraria duas pessoas com o mesmo aparelho, sem nenhum erro em lugar nenhum.
O intervalo entre os dois momentos tem nome: é o tempo de prateleira.
Cada item retirado é um empréstimo separado
O que o sistema faz. Quem leva um notebook e uma extensão na mesma ida ao balcão gera dois registros, não um com dois itens.
Por que faz assim. Porque os dois aparelhos voltam em momentos diferentes. Devolver a extensão hoje e ficar com o notebook até sexta é o caso comum, e não a exceção.
O que quebraria. Uma devolução parcial não teria como ser registrada. A pessoa devolveria um item e o sistema teria que escolher entre encerrar o empréstimo inteiro (perdendo o notebook de vista) ou não encerrar nada (mantendo a extensão fora de circulação). Na fila da secretaria, cada linha deixaria de ser uma tarefa física com um aparelho e uma etiqueta.
Os três horários são três campos, e cada um tem um dono só
O que o sistema faz. Um empréstimo guarda três marcadores de tempo: a retirada, a devolução declarada no tablet e a baixa conferida no painel. Um nunca sobrescreve o outro.
Por que faz assim. Porque a diferença entre o segundo e o terceiro é a única medida do gargalo operacional do sistema — quanto tempo o aparelho ficou parado na bancada, fisicamente livre e invisível para quem queria pegá-lo.
O que quebraria. Se a baixa regravasse o horário da devolução, os dois carimbos ficariam iguais e o tempo de prateleira daria zero para sempre. E daria zero em silêncio: os registros continuariam certos, o relatório continuaria somando, e o número apenas diria que não existe gargalo nenhum.
A nota técnica dessa regressão mora na página da baixa física
Ela está em Baixa física, §7, num bloco recolhido, e não é repetida aqui — dizer a mesma coisa em dois lugares é como as duas versões passam a discordar.
Aposentar um equipamento não é apagá-lo
O que o sistema faz. Um aparelho que sai de circulação para sempre vai para
INATIVO. Ele some do portal — inclusive das contagens de disponibilidade — e
continua na lista do inventário, em cinza, com um botão para reativar. Nenhuma
tela apaga equipamento.
Por que faz assim. Porque o histórico de empréstimos aponta para o aparelho.
Apagar o NOTE-03 levaria junto o registro de quem o usou no semestre passado, e
com ele a resposta para "quem estava com este notebook quando a tela quebrou".
O que quebraria. O sistema perderia justamente a informação que a secretaria procura quando um aparelho volta com defeito. Por isso o ícone da ação é um círculo cortado e não uma lixeira: lixeira promete que o registro some, e ele não some.
Manutenção é o contrário — temporária, para conserto, com volta de um clique.
Categoria se apaga; equipamento e pessoa, nunca
O que o sistema faz. Categoria pode ser excluída de verdade, mas só quando está vazia. Quem recusa a exclusão de uma categoria em uso é o banco de dados, não a tela.
Por que faz assim. Nenhum empréstimo aponta para uma categoria — ela é só o nome da prateleira. Já o equipamento e a pessoa são apontados pelo histórico, e por isso a única saída para os dois é a inativação.
O que quebraria. Se a recusa morasse só na tela, um caminho que não passasse por ela deixaria equipamentos apontando para uma categoria que não existe mais — e eles sumiriam do portal inteiro, porque a grade é organizada por categoria.
A mensagem de recusa dá um conselho que não funciona
Ela manda inativar os equipamentos da categoria antes de excluí-la, e isso não libera a exclusão: o item inativo continua vinculado e o banco recusa igual. Como não existe tela que mova um equipamento de categoria, e equipamento nunca é apagado, categoria com equipamento não é excluível pelo painel.
O comportamento real e a saída estão em Gestão de inventário, §7. A frase da tela é um defeito conhecido e ainda em aberto.
Inativar pessoa e inativar equipamento não são a mesma regra
O que o sistema faz. Os dois campos têm o mesmo nome e regras opostas quanto a empréstimo aberto:
| Pessoa | Equipamento | |
|---|---|---|
| Inativar com empréstimo aberto | Permitido, com aviso | Recusado até o ciclo fechar |
| Efeito no portal | Entra, mas não retira | Some, inclusive das contagens |
Por que faz assim. Quem é inativado — trancou a matrícula, se formou, saiu da instituição — quase sempre está com um aparelho na mochila. É exatamente o momento em que a secretaria precisa inativar, e travar até a devolução deixaria o cadastro apto a retirar mais coisas até alguém lembrar de voltar lá.
O equipamento é o oposto: mudar a situação dele no meio de um empréstimo aberto criaria a inconsistência que a tabela cruzada marca como impossível.
O que quebraria. Travar a inativação da pessoa produziria cadastros ativos que ninguém quer ativos. Liberar a do equipamento produziria um aparelho "em manutenção" que está na mão de alguém.
O cadastro inativo pode devolver, e não pode retirar
O que o sistema faz. A matrícula de um cadastro inativo entra normalmente no portal. A lista "Meus equipamentos" aparece e funciona; a grade de categorias dá lugar a uma explicação.
Por que faz assim. A assimetria é a regra inteira. Quem devolve não está pedindo nada ao sistema — está entregando. Bloquear os dois lados transformaria a inativação na garantia de que o equipamento nunca volta.
O que quebraria. O aparelho ficaria preso: fora de circulação no sistema, dentro de uma mochila na rua, e sem nenhum gesto disponível para quem quisesse devolvê-lo. A secretaria teria que reativar o cadastro só para deixar a pessoa devolver, e depois lembrar de inativar de novo.
A matrícula é texto, e corrigi-la leva o histórico junto
O que o sistema faz. A matrícula aceita só dígitos, no máximo quinze, e é guardada como texto. Ela pode ser corrigida no painel, e os empréstimos daquela pessoa acompanham a correção na mesma operação.
Por que faz assim. Guardada como número, 0012345 viraria 12345 — dois
cadastros diferentes para a mesma pessoa, e a matrícula do crachá deixaria de
funcionar no tablet. O limite de quinze dígitos e a recusa de letras vêm do
teclado do portal, que é numérico: a regra é a do consumidor mais restrito, e não
a da tela que cadastra.
O que quebraria. Uma validação mais frouxa no painel deixaria gravar uma matrícula que ninguém consegue digitar no tablet — um cadastro que existe, aparece nas listas e é inútil. E uma correção que não levasse o histórico junto deixaria os empréstimos antigos apontando para uma matrícula que não existe mais.
A importação mostra antes de escrever, e preserva o que a planilha não traz
O que o sistema faz. A importação de planilha tem uma prévia obrigatória, que não grava nada, separando as linhas em quatro grupos: cadastrar, atualizar, sem mudança e com erro. Na gravação, coluna que o arquivo não trouxe é campo que o banco preserva.
Por que faz assim. A operação não tem desfazer, e um arquivo errado sobrescreveria centenas de cadastros de uma vez. A prévia é a única chance de ver o estrago antes de ele acontecer.
A preservação existe porque a planilha da coordenação não conhece tudo: ela não traz a coluna de situação, por exemplo. Se a ausência valesse como "apague", importar a lista de segunda-feira reativaria todos os cadastros que a secretaria inativou na semana passada.
O que quebraria. Sem a prévia, um relatório depois do fato só contaria o estrago. Sem a preservação, cada importação desfaria em silêncio o trabalho manual feito no painel desde a anterior.
O portal não tem login, e se fecha sozinho
O que o sistema faz. O portal não pede senha: a identificação é a matrícula, digitada a cada atendimento. Depois de dois minutos sem nenhum toque, a tela volta para o começo.
Por que faz assim. O tablet fica na bancada e é compartilhado. Senha em dispositivo compartilhado é senha que alguém escreve num papel colado atrás.
O que quebraria. Sem o encerramento automático, a próxima pessoa a chegar na bancada encontraria a tela de outra — e conseguiria retirar equipamento no nome dela, ou declarar uma devolução que não aconteceu.
Isso vale só para o portal
O painel da secretaria exige login e senha individuais, e o comportamento dele está em Conta do administrador.
Onde continuar
- O desenho completo das transições está em Estados e transições.
- O vocabulário está no Glossário.
- Cada regra aparece de novo, no contexto do gesto que a dispara, na seção 7 das cinco páginas de processo.